Por Guilherme Amorim
Em um determinado momento do segundo filme da trilogia Spider-Man, dirigida por Saim Raimi, Peter Parker, personagem interpretado pelo ator Tobey Maguire, dá falta de suas habilidades diferenciadas. Ao tentar vencer obstáculos e barreiras, percebe sua vista turva e sua resistente teia falhar. As razões? Aparentemente, reflexos emocionais.
A comparação é esdrúxula, mas o atual goleiro do Galo bem que chegou com esse status de super-herói, solução mais madura após as experiências de Juninho, Edson e Bruno à frente do gol atleticano. O homem Aranha, grande, com boas defesas e atuações que o fizeram famoso na Ponte Preta, chegou a ser apontado, inclusive, no ano passado, como ótima sacada do Atlético, investimento inteligente, sobretudo pela imprensa nacional.
Então, Aranha estreou, não repetiu o desempenho que o destacou entre os paulistas e Carini assumiu a condição de titular (aliás, outro bom goleiro, segundo os jornalistas e comentaristas, se avaliadas as atuações em 2009). Hoje, com mais uma oportunidade de ser titular do Galo, Mário Lúcio – Aranha – ainda parece viver uma fase ruim. Com dificuldade para dominar a bola nos pés, atrasos e equívocos frequentes na saída do gol no momento em que bolas são alçadas na área, tem deixado a torcida bastante ressabiada.
E a insegurança do torcedor tem fundamento. Em dez rodadas disputadas no Campeonato Mineiro, apenas em duas o Galo não sofreu gols. Já são oito partidas em que o Atlético, religiosamente, dá um jeito de tomar gol, seja por acaso (as tais falhas), seja por mérito do adversário. E, claro, justiça seja feita, não somente Aranha defendeu as redes atleticanas nessas dez rodadas, embora tenha atuado na maior parte dos confrontos.
O ponto é que Carini e Aranha tem se mostrado inconstantes e inseguros em 2010. Agora, fala-se em Marcelo, goleiro do Bahia, como mais uma alternativa. Até seu empresário já o colocou publicamente no Galo, antecipando as negociações e assinatura do contrato, atitude que desagradou o presidente Alexandre Kalil.
Afinal, o que há com os goleiros atleticanos? Por que todos os goleiros do Atlético continuam, desde a saída de Diego e Bruno, jogando adiantados e saltando atrapalhados, perdidos, em bolas lançadas na área? Aranha, Carini, Juninho, Edson, Bruno… Será que está mesmo dentro das quatro linhas o problema dos defensores do time? O Atlético erraria em todas as contratações para essa posição?
A preparação de goleiros do Galo é que parece passar por uma inconstância. E o reflexo tem ido a campo, com inseguranças e falhas que demonstram a fragilidade emocional dos profissionais. Será? São dúvidas dos torcedores. Dúvidas daqueles que querem gritar o nome dos jogadores no Mineirão e ter a certeza de que, em um momento decisivo, todos estarão realmente bem preparados para alcançar o êxito nas competições.