A falsa tartaruga

By Renato Pena

Por Sérgio Mitre

Tem certos jogadores que chegam ao Galo que são analisados sem nem precisarem entrar campo. Seu passado ou a opinião corrente tornam-se seus fardos pra carregar. Eternamente?

Parece que tem “que ser selado, registrado, avaliado, rotulado, se quiser voar”. Ricardinho e sua suposta lentidão é um bom exemplo.

Considero o Ricardinho excelente armador. Pra mim, cismaram com essa história dele ser velho e lento  e pronto e acabou. É devagar de pressuposto, não de realidade.

Como ele chegou no meio da temporada passada, também colocam nele a culpa da queda de rendimento do time do Galo no Brasileirão. Nada mais falso.

Se compararmos a campanha do primeiro turno e do segundo, podemos conferir que ganhamos quase dos mesmos times (pequenos) e perdemos pra quase os mesmos (grandes). A tabela nos era favorável no início do turno e muito desfavorável no fim.

Foi assim no primeiro semestre e foi o que aconteceu no segundo. Na hora do vamo-ver, na hora de enfrentar uma seqüência com Inter, Palmeiras, Flamengo, Corinthians, São Paulo, etc., nossa pontuação caiu assustadoramente.

Faltava qualidade ao time do ano passado e sobrava ruindade, tanto no time titular quanto no reserva. Nossos suplentes para o ataque eram sofríveis, nossa lateral esquerda era um vazio total, entre outras carências. Chegou ao máximo que podia – ou até se superou.

O time do Atlético vai mudar sua característica, sua forma de jogar, exatamente pela diferença entre o estilo de jogo dos jogadores.

Pra diferenciar esses “jeitos de jogar”: tem gente q detesta o Ricardinho exatamente por ele cadencia o jogo e é mais de toque de bola do que de correria com a redonda. Outros preferem um volante como o Márcio Araújo, que corre com a pelota e parte pra cima.

Em tempo: há milhares de exemplos, uso nosso ex-jogador porque jogou aqui por muito tempo e dá pra entender melhor a comparação.

Eu prefiro jogadores técnicos e de toque de bola aos que a carregam em demasia, mesmo que de maneira proveitosa. Gosto de ver a bola correr e não jogador correndo com a bola.

Questão do gosto de cada um e do futebol que cada um prefere assistir. Eu gosto da nova proposta de jogo desse renovado Atlético.

Não esperem o Ricardinho correndo com a bola e dando velocidade ao jogo dessa maneira. Há muitas maneiras de tornar um jogo veloz e envolvente.

3 Respostas para “A falsa tartaruga”

  1. Jota Parana Disse:

    Creio ter sido esse uma das análises mais sensatas que li ultimamente. Reclamar da suposta ”lentidão” do Ricardinho, é insano, na minha opinão evidentemente, respeitando quem discorda.
    Ricardinho dita o ritmo do jogo. Para isso foi contratado. Correria não ganha jogo, creiam.

    Pbéns, concordo plenamente com o autor.

  2. Bruno Andrade Disse:

    Bom texto pra calar os criticos sejam eles a imprensa ou torcedores.

    A torcida do Galo voltará a se acostumar com jogadores mais tecnicos e com perfil de vencedores. Passou da hora de dar um basta ao peladeiros que não sabem jogar.

    Agora voltando ao Ricardinho, acho que ele será de vitalimportancia sobbretudo nos jogos contra times grandes e que “partem pra cima”.

    Mas faz-se necessário a meu ver, mais um meia-atacante com caracteristicas mais ofensivas, ja que o Ricardinho sempre foi segundo ou terceiro homem de meio campo.

    Parabéns pelo blog. Abraço

  3. Lincoln Pinheiro Costa Disse:

    Mitre,

    Este é o seu segundo artigo aqui no Galo 13 que subscrevo sem restrições. Também quero ver o time jogar com toque de bola, como nos anos 70 e 80, e não com a falta de qualidade técnica que nos afundou nas últimas duas décadas.

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